À frente, o oceano imenso. Imenso como este céu que desce até às dunas onde me encontro. A linha difusa do horizonte lembra pinceladas esbatidas em tela de azuis profundos; As ondas, rendas tecidas em fios imaculados, como véu de noiva estendido a meus pés.
Fico ali. Olhar preso nesta praia, nestas dunas, neste mar.
Na cadência revolta das ondas, a cadência dos sonhos que voltam. Em asas de gaivota balouçando sobre as águas.

O SONHO
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos
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